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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A VIDA NÃO É UM SONHO

Trágico como a vida, “A vida não é um sonho” gira em torno de diferentes tipos de vícios e dependências. É o drama paralelo de três jovens dependentes da droga e da mãe de um deles que, por achar que vai a um programa de televisão, começa uma dieta à base de comprimidos que lhe dão uma estranha energia. É um filme de limites. E onde até mesmo os limites são excedidos. Mas há um fio condutor, um objectivo comum às quatro personagens principais do filme: procurar uma vida melhor. Sara redescobre a felicidade com a ideia de aparecer na televisão, sonha com isso em todos os momentos. Mas quer levar aquele vestido vermelho que já não lhe serve… O que é aquela mulher capaz de fazer para emagrecer? Aumenta progressivamente a dose de comprimidos, mesmo sem ordem médica, até se tornar completamente dependente deles. Os comprimidos vão levá-la à loucura. Acaba por ser internada numa instituição psiquiátrica e chega mesmo a ser tratada com choques eléctricos.
     Até que ponto resiste o amor quando os vícios se intrometem? E, sobretudo, quando a droga falta? Eles vão chegar ao limite. Harry e Ty partem para a Florida em busca de vendedores de droga. Marion vende o corpo, o orgulho, a dignidade em troca de droga. Ty acaba na prisão ao levar Harry ao hospital, devido a um enorme hematoma no braço por se injectar sucessivamente. O braço acaba por lhe ser amputado.
     Muitas vezes as pessoas adquirem certos vícios para provarem que são livres, independentes, desregradas e que tudo podem quando, na realidade, acabam por se tornarem escravas desses mesmos vícios. E, iludidas por esse aparente poder, não se apercebem que nem sequer têm controlo sobre a sua própria vida. Só vivem com um objectivo: satisfazer o seu vício. É isso que os move.
     Em todos os personagens observamos disfunções sociais e familiares, valores morais distorcidos, baixa auto-estima e respeito próprio. Os indivíduos possuem pensamentos e crenças distorcidas, levando-os a tomar decisões erradas nas suas vidas.

Observações: Não aconselhável a sua exibição integral em contexto de sala de aula (classificado para maiores de dezasseis anos.)

PS: Se algum colega estiver interessado neste material (o filme) é só contactar-me que eu terei todo o gosto em emprestar.  


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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

OS FILHOS DA DROGA (CHRISTIANE F.)

Outro extraordinário filme acerca da temática da toxicodependência, baseado em factos reais.  
"Os Filhos da Droga" é um retrato da sociedade moderna, um mundo de cimento e sombrio onde os vícios e a droga são apresentados como uma alternativa à solidão e à tristeza. É relatado o drama de Christiane, uma menina de seis anos que vive com os pais numa aldeia alemã. Circunstâncias diversas conduzem o destino desta família até Berlim, a grande cidade que acaba por marcar grandes alterações na vida de Christiane. Aos poucos a felicidade desta criança começa a desmoronar-se. Os pais divorciam-se e a mãe fica com a sua tutela mas a sua vida nunca mais será a mesma. A dor e a tristeza irão fazer parte do dia a dia desta criança. Christiane conhece as pessoas erradas e de boa fé confia nelas, a curiosidade arrasta-a para o mundo escuro e frio da droga. Primeiro consome drogas “leves” (Haxixe e LSD) logo seguindo-se a heroína. Aos 13 anos, juntamente com o namorado de 17 anos, é forçada à prostituição e ao roubo, as suas formas de subsistência. Ter dinheiro para mais uma dose é o seu objectivo de vida, vida essa medíocre e insignificante. Segue-se a prisão, o sofrimento de uma mãe e as tentativas de recuperação. Esta obra fala-nos da decadência do ser humano, da falta de orientação dos adolescentes, das dificuldades de contacto entre adultos e jovens, da facilidade de acesso à droga, de miséria e também de amor. Altamente descritivo, “Os Filhos da Droga” é um retrato nu e cru de um mundo devastador: O mundo da droga!

Observações: Não aconselhável a sua exibição integral em contexto de sala de aula (classificado para maiores de dezoito anos.)

PS: Se algum colega estiver interessado neste material (o filme) é só contactar-me que eu terei todo o gosto em emprestar.  
Let's look at the trailer:


sábado, 2 de outubro de 2010

MARIA CHEIA DE GRAÇA

Um dos materiais que tenho utilizado nestes quatro anos que já levo na implementação do ATLANTE é o filme “Maria Cheia de Graça”. Um instrumento poderoso no que concerne à informação e sensibilização para a importância da tomada de decisões relativamente ao deslumbramento efémero que as drogas por vezes podem provocar . Uma obra-prima de Joshua Marston que, em 2005, quase valia à actriz colombiana que interpreta a protagonista do filme (Catalina Sandino Moreno) o Óscar de melhor actriz. Este drama mostra com uma honestidade desconcertante “o outro lado da moeda”.
Numa linha quase documental, “Maria Cheia de Graça” é um filme meticuloso na forma como descreve todo o processo de tráfico: vemos como são feitos os invólucros, como os “correios” treinam para engoli-los sem vomitar, como os ingerem, o que têm de fazer se por acaso os invólucros são expelidos fora de tempo.
O título do filme - retirado da oração Avé Maria - e a imagem do poster - a comunhão, substituindo a hóstia por um invólucro de droga - podem fazer esperar um filme carregado de iconografia religiosa. Mas não é o caso. Apesar da crítica implícita à hipocrisia inerente a uma sociedade fortemente religiosa, Marston não insiste neste ponto. Maria, Blanca e Lucy são vítimas, mas não inocentes, escolhendo o caminho errado pelas melhores razões.
Em silêncio, a última cena, poderosa e transcendente, é o culminar desta experiência na tentativa de Maria ganhar controlo sobre a sua própria vida. “Maria Cheia de Graça” é sobretudo um drama emocional. Perturbante.

PS: Se alguém estiver interessado neste material (o filme) é só contactar-me que eu terei todo o gosto em emprestar.  

Mas, como dizia o outro, let's look at the trailer!